nov 172014

Violência obstétrica: SP vai ter que custear cirurgia de reconstrução

Artigo 1

Spresso SP – Por intermédio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, uma mulher de Registro, no Vale do Ribeira, fará uma cirurgia de reconstrução genital custeada pelo Governo Estadual e pela prefeitura de sua cidade. A Justiça entendeu, ao dar a decisão liminar, que ela foi vítima de violência obstétrica, isto é, quando há o tratamento, por parte dos profissionais de saúde, desumanizado nos procedimentos ou durante o parto. A violência obstétrica é caracterizada também pela apropriação do corpo sem consentimento da vítima, abuso da medicalização e patologização dos processos naturais.

No caso da mulher de Registro, houve um corte desnecessário em sua região genital. Ela entrou em trabalho de parto em agosto de 2012 e foi atendida no Hospital São João. No momento do procedimento, o médico, a princípio, tentou realizar o parto normal. Sem sucesso, decidiu fazer o corte que, na medicina, é chamado de episiotomia. O profissional entendeu que o bebê já estava “encaixado” e que não havia mais tempo para fazer uma cesariana.

Poucos dias após o parto os pontos dados para reconstruir o corte se romperam e a mulher teve que voltar ao hospital, onde foi detectada uma infecção avançada e recomendada uma cirurgia. Como não possui plano de saúde, a vítima até hoje não conseguiu realizar o procedimento. Além da infecção, a mulher convive hoje, graças ao corte mal realizado, com evacuação involuntária, o que a impede de trabalhar e lhe trás problemas na vida íntima e sexual.

Além da cirurgia a ser custeada pelo poder público, a Defensoria pediu à Justiça que a mulher receba 200 salários mínimos pelos danos morais.

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