fev 082014

Um bilhão de pessoas dançando contra a violência em 200 países

Artigo 1

Mariana Mesquita/JC ONLINE/Pernambuco Sete em cada dez mulheres, em todo o mundo (o que representa cerca de um bilhão de pessoas), vão ser estupradas ou espancadas ao longo da vida. Esta é a estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), que classifica o problema como “pandemia”. Um bilhão de homens e mulheres vão se manifestar contra essa violência por meio da dança, na próxima sexta-feira (14). Esta é a meta do movimento Um Bilhão Que Se Ergue (One Billion Rising), que procura chamar a atenção para as agressões e realizará ações previamente organizadas (flash mobs) em mais de 200 países.

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Foto: reprodução do Facebook

“Quem quiser participar, só precisa comparecer na sexta, no Marco Zero, às 19h, de preferência usando roupas nas cores preto, rosa e vermelho. Não precisa ter medo da coreografia”, convida a secretária Ju Dolores, que integra o movimento Marcha das Vadias e é uma das coordenadoras do evento no Recife, que congrega várias organizações. “Os homens podem e devem vir também. Para mudar, é preciso ter o apoio daqueles que, em geral, cometem a violência. Acho que não deve ser legal ser homem dentro de uma cultura que faz deles monstros, e por isso cada homem deve entrar na batalha contra essa realidade”, avalia. “É um momento incrível, com uma energia imensa”.

Um Bilhão Que Se Ergue é uma ação que existe desde 2013, e foi iniciada pela organização VDAY, que surgiu nos Estados Unidos há 16 anos e realiza protestos e apresentações no Dia dos Namorados americano (Valentine’s Day), com a finalidade de prevenir a violência contra mulheres e meninas.

A fundadora da VDAY, Eve Ensler, coordena um grupo internacional de ativistas e é a autora de uma peça de sucesso mundial, Os monólogos da vagina (produzida em mais de 150 países a partir de depoimentos verídicos de mais de 200 mulheres de todo o mundo, refletindo sobre a sexualidade feminina).

O evento, porém, não é responsabilidade exclusiva da VDAY, que descreve a campanha como um movimento de massa liderado por centenas de organizações de todo o mundo, as quais preparam seus eventos individual e espontaneamente. A dança, nesse contexto, é utilizada como um instrumento catalisador: serve para unir, congregar, fazer com que o mesmo corpo que sofre violência possa se mostrar, livre.

“Neste ano, vamos nos concentrar na questão da justiça para todas as sobreviventes de violência de gênero, e tentar acabar com a impunidade que prevalece a nível mundial”, declara a diretora executiva do VDAY, Susan Celia Swan, que falou à reportagem do JC por email.

“Os motivos que fazem este movimento relevante é que, assim, conseguimos chamar a atenção das pessoas sobre a importância da prevenção da violência e da proteção das sobreviventes”, diz, por sua vez, a coordenadora regional para as Américas Central e do Sul, Marsha Calderón. “O especial e único da campanha é que não vitimizamos as mulheres, e sim celebramos suas vidas. Pessoalmente, como sobrevivente de violência, é uma alegria poder levar esta mensagem a outras mulheres, para que se animem a romper o silêncio”, afirma.

EVENTOS NO BRASIL – O Brasil, mesmo possuindo uma legislação avançada sobre a violência contra a mulher, ainda tem um dos índices mais altos do mundo. Frente a isso, na sexta-feira haverá flash mobs em diversas cidades, como São Paulo, Brasília, Foz do Iguaçu e Belo Horizonte, entre outras. Para contatar a organização recifense, é só procurar no Facebook a página Um Bilhão Que Se Ergue Por Justiça – Recife/PE”.

“Não há controle, nenhuma coordenação nacional, e cada cidade define o que irá fazer”, explica Ju Dolores. “É um evento predominantemente jovem, com forte apelo dentro das redes sociais. No futuro queremos ampliar a inclusão, até mesmo criar uma música local, cantada em português”, planeja ela, acrescentando que “esse tipo de movimento é uma porta, uma oportunidade para se obter informações e repensar a realidade”.

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