mar 022015

Qual é a graça, Alexandre Frota?

Artigo 1

 

Marina Rossi /El País – Em rede nacional, o ex-ator pornô Alexandre Frota, 50 anos, anunciou que dividiria com os telespectadores da Band parte de seu show stand up comedy, composto “de várias histórias que aconteceram na minha vida”, ele explicou. Dentre outras coisas, Frota narrou um suposto estupro que cometeu. Encenou o que ocorrera durante uma consulta com uma mãe de santo. Afirmou que “de tanto apertá-la, ela chegou a desmaiar”, e que, ainda assim, ele finalizou o ato. Chegou a fazer parte da cena com uma garota da plateia. Que riu.

Foi na quinta-feira passada, durante o Agora é Tarde, programa de TV do apresentador Rafinha Bastos, que pediu palmas da plateia. Bastos foi o mesmo que declarou, há alguns anos, que “toda mulher que reclama que foi estuprada é feia” e que “homem que cometeu o ato merece um abraço invés de cadeia”, durante um stand up.

As declarações provocaram imediata reações nas redes sociais – e o mais surpreendente é que se tratava de uma reprise: o relato de Frota foi ao ar pela primeira vez em maio de 2014. O coletivo Mariach publicou em sua página no Facebook um longo texto de repúdio à história de Frota. “Um crime hediondo foi confessado e aplaudido em rede nacional. Como isso é possível? Ora, num país onde uma mulher é estuprada a cada 12 segundos, não é difícil compreender que uma estatística alarmante como essa é produto de uma cultura que valoriza e cotidianiza a violência sexual”, dizia o texto.

O site feminista Think Olga também criticou a entrevista, por meio de sua página oficial no Facebook. “Estaria a mídia abrindo mão do público feminino? Até quando vamos ler artigos que ridicularizam mulheres (alô, Revista Veja) e homens sendo ovacionados ao admitir estupros em rede nacional? Está na hora dos veículos de comunicação assumirem sua responsabilidade como patrocinadores da violência contra a mulher. Isso NÃO É ENTRETENIMENTO”, dizia o texto. A referência à Veja ocorreu porque reportagem veiculada pela revista neste final de semana ironiza o discurso da atriz Patricia Arquette por paridade salarial ao ganhar o Oscar.

Maria do Rosário, deputada federal e ex-secretária de Direitos Humanos, também se pronunciou, por meio de sua conta no Twitter: “A vontade de chorar que muitas de nós mulheres sentimos diante desse aplauso ao crime de estupro deve virar força e luta”, escreveu.

Ao portal Ig, Frota disse, nesta segunda-feira, que a história era piada. “É a segunda vez que reprisam essa entrevista. No inédito, quando passou [pela primeira vez] ninguém reclamou e nenhum ativista apareceu”, disse ao portal de notícias. “A mãe de santo é fictícia, por isso não menciono o nome, porque ela não existe. A história faz parte do meu stand up, no ano passado. É uma história contada em forma de piada, com humor”, disse.

Ele ainda afirmou que não se desculparia, já que não fez nada de errado. “Temos liberdade de criar e roteirizar. Respeito as mulheres, sou muito bem casado e essa onda é falta do que fazer”, afirmou. Há muito o que se fazer, na verdade. A pena para crimes de estupro no Brasil, por exemplo, é de seis a dez anos de prisão.

Em sua conta no Twitter, Rafinha Bastos saiu em defesa do ator. “Aquilo nunca aconteceu. Se tivesse acontecido, ele estava na cadeia. Foi uma história inventada”, escreveu.

Leia a reportagem completa aqui.

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