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Mulheres ganham mapa interativo para denunciar violência obstétrica

artigo cedaw

Giovanna Balogh/Folha de S.Paulo – Mulheres que foram vítimas de violência obstétrica têm agora a possibilidade de relatar o tipo de atendimento que tiveram durante o parto em um mapa interativo na internet. O “Mapa de Abusos cometidos no Parto” foi criado para permitir que a mulher classifique o que sofreu por tópicos como violência verbal, proibição de acompanhante, procedimentos desnecessários na mãe e no bebê, cesárea desnecessária, entre outros itens.

Enfermeira faz manobra de Kristelller em gestante durante trabalho de parto (Foto: Reprodução)

Enfermeira faz manobra de Kristelller em gestante durante trabalho de parto (Foto: Reprodução)

A arquiteta Isabella Rusconi, 42, e o marido dela, Carlos Pedro Sant’Ana, tiveram a iniciativa de criar o espaço após conversar com a obstetriz Ana Cristina Duarte. A decisão foi tomada após ela sofrer violência obstétrica no parto do primeiro filho, em 2005, em um hospital de Portugal. “Eu sofri um primeiro parto extremamente violento e só consegui colocar para fora ao escrever um relato”, diz Isabella, que sofreu uma episiotomia (corte feito entre a vagina e o ânus) que a fez ficar 12 dias de cama.

“O corte provocou uma laceração de terceiro grau. Fiquei um mês sem poder sentar e mais de três meses usando o travesseirinho da humilhação”, relata. Em 2010, Isabella teve um parto domiciliar no Brasil sem qualquer intervenção. “Foi na varanda, em frente a um rio. Foi redentor”, diz a mãe de Sebastião, 9, e Bernardo, 4.

O mapa conta com mais de 200 relatos, sendo que o Estado de São Paulo lidera o número de denúncias. A arquiteta diz que ideia é que o trabalho cresça agora que a página será divulgada e administrada pela Artemis (entidade de defesa ao direito da mulher). Os relatos são todos lidos e autorizados.

Além de ser um espaço para as mulheres relatarem o que sofreram, a ideia é ter um panorama dos hospitais do Brasil onde acontecem mais violência obstétrica e onde os direitos das mães e dos bebês não são respeitados. “São experiências bem íntimas, densas e comoventes”, comenta.

A presidente da Artemis, Raquel Marques, explica que os relatos de violência vão ajudar a argumentar e demonstrar o cotidiano das parturientes nas audiências públicas que a entidade participa. “O mapa também serve de referência para as mulheres, gestores e profissionais de saúde para que visualizem o quanto a violência é grave e generalizada”.

Saiba mais sobre o que é violência obstétrica e se você foi vítima.

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