out 242013

Distrito Federal teve média de 2,76 estupros por dia em setembro

Artigo 1

Débora Vaz/CFEMEA – A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) divulgou hoje (24), estatísticas sobre as ocorrências de estupro no DF. Foram registrados 695 casos entre os meses de janeiro e setembro de 2013. No ano passado, foram 701 estupros registrados no mesmo período, representando uma queda risível de 1%.estupro_crianca600

Em setembro, foram computados 83 casos, contra 79 no mês anterior. O mês mais violento do período analisado foi maio, com 87 ocorrências, em seguida, estão julho e agosto, com 81 casos cada. Fevereiro foi o mês com menos casos, 64.

Os dados de agosto mostram que 83% das vítimas (68 casos) eram menores de 17 anos, sendo 39,5% do total – 32 vítimas – na faixa dos 9 aos 13 anos. Em 85,2% dos casos (69), a vítima tinha ligação com o agressor e em 82,7% das ocorrências (67 casos) o estupro aconteceu dentro da casa da vítima ou do autor do crime.

Luana Natielle, advogada e assessora do CFEMEA, acredita os dados mostram um problema cultural, “a faixa etária da maioria das vítimas revela que os agressores, muitas vezes, são parentes da vítima, demonstrando o viés cultural do pertencimento da mulher e da criança aos homens no espaço doméstico”, diz. Ela ainda ressalta que as estatísticas desmistificam a noção de estupro, aquele que acontece à noite, por uma mulher que está expondo seu corpo, andando sozinha. “Claro que o estupro que acontece na rua é uma problema de segurança pública, pois não adianta ter o vagão exclusivo para as mulheres usuárias do metrô se ao sair daquele ambiente ela está novamente desprotegida”, afirma.

A secretaria ressaltou que os dados não estão associados apenas aos casos em que há relação sexual, pois o estudo também incorpora outros tipos de ocorrências como atentado violento ao pudor, abuso sexual, beijo lascivo, entre outras. Luana alerta ainda para o fato de que os números podem ser bem maiores, já que muitas vítimas não registram o crime, “muitas mulheres não se sentem encorajadas ou pior: se sentem culpadas. Outro problema é o tratamento dado essas vítimas na delegacia e nos hospitais, há despreparo para lidar com a situação”, finaliza.

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