jul 262016

Brasil é criticado após exclusão de minorias de declaração sobre Aids

  • Marcus Rose/International AIDS Society

    Para Alessandra, teria sido diferente se as organizações da sociedade civil brasileiras tivessem participado de evento

    Para Alessandra, teria sido diferente se as organizações da sociedade civil brasileiras tivessem participado de evento

Henrique Contreiras, da Agência de Notícias da Aids – Em Durban (África do Sul) a jornalista e ativista brasileira Alessandra Nilo, da ONG pernambucana Gestos, apresentou nesta quarta (20), na 21ª. Conferência Internacional de Aids, em Durban (África do Sul),  sua experiência na Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. A reunião aconteceu em junho, em Nova York, e Alessandra é representante da sociedade civil brasileira na Assembleia Geral das Nações Unidas para a Aids desde 2001.

Na reunião, foi emitida uma declaração política para HIV. Por pressão de países conservadores, como Rússia, Irã e Indonésia, o documento excluiu as minorias que carregam o peso da epidemia de HIV, as chamadas populações-chave.

As populações-chave para o HIV incluem pessoas transgênero, profissionais do sexo, pessoas que injetam drogas, homens gays e bissexuais e pessoas privadas de liberdade. Representantes das populações-chave têm denunciado ao longo de toda a conferência sua exclusão da declaração.

Quando perguntada pela participação brasileira na confecção da polêmica declaração, Alessandra respondeu que a delegação brasileira formada pela diretora e técnicos do Departamento de HIV, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, e por deputados federais não teve chance de influenciar: “Chegaram somente para a reunião principal, quando as negociações já estavam avançadas e o rascunho original da declaração já havia sido alterado de forma a excluir as populações-chave”.

Para Alessandra, teria sido diferente se as organizações da sociedade civil brasileiras tivessem participado. “Mas elas sofrem com o baixo financiamento e acabam dependendo de um convite do governo, convite este que não chegou. Além disso, a reunião ocorreu em momento confuso, logo após a troca de governo, quando muitas outras mobilizações estavam ocorrendo no Brasil.”

Um participante da plateia perguntou se era verdade que estava havendo um retrocesso nas políticas de aids e de populações-chave no Brasil. E citou a tentativa de proibição do nome social de transexuais e travestis.

Alessandra respondeu: “A perda de direitos que está em curso no Brasil é muito mais ampla do que isso”.

Fonte: Notícias UOL, publicado em 21 de julho de 2016.

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