set 162013

Amapá é rota de tráfico de pessoas, afirma delegada

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Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas
realizou primeira reunião nesta segunda-feira (16)
(Foto: Abinoan Santiago/G1)

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Fronteira de 707 quilômetros facilita a prática do crime. Vítimas são aliciadas com falsas promessas, segundo disse a delegada
Abinoan Santiago
Do G1 AP
Por ter uma área de 707 quilômetros de fronteira, o Amapá tornou-se rota de passagem de vítimas do tráfico humano. A afirmação é da delegada Katiúscia do Amaral, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Amapá. Pela primeira vez, após criação por decreto governamental, no primeiro semestre de 2013, o comitê gestor do núcleo reuniu-se para ajustar informações sobre a prática criminosa. O encontro aconteceu nesta segunda-feira (16).

“Temos estudos que mostram que o estado é rota de origem e de passagem de tráfico de pessoas, por ser uma área de fronteira. Há vítimas que saem daqui para outros lugares do Brasil e demais países; e tem aquelas que apenas passam pelo estado com destino à Guiana Francesa e Suriname”, destacou a delegada.
De acordo com Katiúscia, a vítima sai do local de origem obrigada ou convencida sobre a possibilidade de melhoria da qualidade de vida. “A vítima é aliciada com promessas fraudadas ou à força para ir a um determinado local. Chegando lá, ela percebe que a realidade não é aquela, criando dívidas e sendo explorada sexualmente ou de forma trabalhista”, reforçou.
O Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas é composto pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Ministério Público (MP) e ONG’s.
A diretora de projetos do Instituto de Mulheres do Amapá (IMA), Rileny Mascarenhas, relatou casos de vítimas de tráfico atendidos pela ONG.
“Em 2010, uma moça de Macapá conheceu um homem pela internet. Ele a levou para a cidade de São Paulo, com promessas. Quando a mulher chegou ao aeroporto, a pessoa com quem ela se comunicava não era a mesma que foi buscá-la no desembarque. Chegando à cidade, essa mulher foi direto para uma casa de prostituição. Depois que ela voltou ao estado, em 2011, teve sérios problemas psicológicos”, contou Rileny.
Segundo a assistente social do núcleo, Christiene Fonseca, por sentir medo de denunciar, a pessoa vítima do crime recebe acompanhamento psicológico e social para apontar o suspeito do tráfico.
“Precisamos estreitar os laços de confiança para que ela [vítima] fale. Para isso oferecemos vários serviços sociais e psicológicos para a vida dela ser preservada depois da denúncia”, explicou Christiene.

Para receber denúncias, o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas disponibilizou o número 3225-8578 e o email: traficodepessoas@sejusp.ap.gov.br.

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