dez 212014

A cada uma hora, em média, nasce um bebê prematuro no Amazonas

artigo cedaw

 

Annyelle Bezerra /D24amA cada uma hora, um bebê nasce prematuro no Amazonas, em média, segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), do Ministério da Saúde (MS), referentes a 2013. Os recém-nascidos precoces corresponderam a 9.219 casos, 11,7% dos 78,8 mil nascidos vivos no Estado no ano passado. Nos últimos três anos, a prematuridade cresceu 122%.

Foram mais de 9 mil bebês prematuros no Amazonas no ano passado/Foto: AE

Foram mais de 9 mil bebês prematuros no Amazonas no ano passado/Foto: AE

De acordo com o pediatra e neonatologista Alexandre Miralha, o excesso de cesarianas eletivas, tabagismo das mães, incapacidade do colo uterino de manter uma gravidez e infecções urinárias, da vagina e da vulva estão entre as principais causas da ocorrência de partos prematuros. “Vários autores tentam mostrar que existe relação entre a idade da mãe e a prematuridade. Em alguns locais, isto realmente ocorre, mas, no âmbito geral, existem algumas causas mais comuns como o baixo peso do bebê, uma vez que, nos casos de inseminação, o organismo está preparado para acomodar apenas uma criança e precisa se adaptar a outro”, disse Miralha. “Os partos cirúrgicos agendados, com o bebê nascendo antes do tempo, quando a mãe não lembra da data da última menstruação, e o tabagismo, que é um problema mundial, também causam o nascimento prematuro”, afirmou.

Miralha diz, ainda, que nem sempre o parto precoce apresenta uma causa aparente. É importante como medida preventiva, segundo ele, a realização do pré-natal por todas as mulheres e avaliação das gestantes que apresentarem trabalho de parto precoce.

Conforme o Datasus, 8,1 mil partos ocorreram entre a 32ª e 36 ª semanas de gestação. A gravidez completa dura 38 semanas, mas muitos médicos contam 40 semanas a partir do primeiro dia da última menstruação. Também ocorrem partos prematuros entre 28 a 31 semanas (788 casos), de 22 a 27 semanas (314), e com menos de 22 semanas (28 nascimentos).

No comparativo com 2010, quando 4,1 mil crianças nasceram antes de completar o tempo ideal, o ano passado teve um aumento de pramaturidade de 122%. Naquele ano, 74,1 mil partos foram realizados no Estado, destes 5,6% antes do período ideal. Em 2010, cinco mil bebês nasceram entre a 32ª e a 36ª semanas de gestação. Em segundo lugar no ranking vieram os nascimentos de bebês com 28 a 31 semanas (379); de 22 a 27 semanas (224); e os com menos de 22 semanas (39).

Nos anos de 2011 e 2012, 9,8 mil e 9,4 mil mulheres deram à luz antes do tempo, respectivamente. Em 2011, dos 76,2 mil partos totais, 12,9% foram prematuros. No ano seguinte, as crianças prematuras corresponderam a 12,2% dos 77,4 mil nascidos vivos.

Em 2011, 8,5 mil crianças de 32 a 36 semanas nasceram precocemente, no Amazonas; 871 de 28 a 31 semanas; 364 de 22 a 27 semanas; e 22 com menos de duas semanas. Em 2012, dos partos prematuros, 8,3 mil foram de crianças entre 32 e 36 semanas; 802 de bebês entre 28 e 31 semanas; 283 de crianças entre 22 e 27 semanas; e 31 de bebês com menos de 22 semanas.

Fragilidade

Com a formação dos pulmões, cérebro e retina comprometida, os fetos com menos de 22 semanas, segundo Alexandre Miralha, são os que apresentam os índices mais baixos de sobrevivência entre os prematuros. Em locais com infraestrutura adequada o mínimo é de 24 semanas.

“A fragilidade do bebê prematuro na infância e fase adulta vai depender de como ele foi cuidado nos primeiros mil dias. Como dependendo da patologia e do local esse prematuro precisar ir para a UTI e ser submetido a ventilação mecânica, alguns desenvolvem displasia broncopulmonar, podendo evoluir para uma pneumonia no futuro. Outro problema nos prematuros é a cegueira, sendo preciso que esse bebê passe pelo exame de fundo de olho”, afirmou o especialista.

Ano passado foram registrados 78,8 mil partos

Dos 78,8 mil partos totais registrados, no Estado, no ano passado, 48,6 mil foram normais, 30 mil cesáreos e 171 ignorados. No ano, 87 mulheres tiveram gravidez com número de bebês ignorado; 83 tiveram a gravidez única e apenas uma deu à luz a gêmeos.

No ano de 2010, dos 74,1 nascimentos totais, 46,1 mil foram normais; 27,9 mil cesáreos; e 61 ignorados. Levando em conta o tipo de gravidez, 42 tiveram quantidade ignorada de filhos; 18 apresentaram gravidez única; e uma gravidez´dupla.

Em 2011, os partos normais correponderam a 47,7 mil casos; os por procedimento cirúrgico, a 28,3 mil; e os ignorados a 109 casos. No período, 58 mulheres tiveram gravidez ignorada; e 51 gestação única.

Os partos normais acumularam 47,8 mil ocorrências em 2012; seguidos por 29,4 mil cesáreos; e 119 ignorados. Neste ano, 71 mulheres tiveram gravidez única e 48 ignorada.

Mortes Fetais

Dados da pesquisa de Registro Civil, divulgada na última terça-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam a morte de 530 bebês, no Amazonas, em 2013. As crianças de 28 semanas ou mais foram as que menos resistiram após o parto, 350 casos.

Em segundo lugar estiveram os bebês provenientes de gestações de 22 a 27 semanas (89) e os de menos de 22 semanas (51). Quarenta mortes não tiveram o período da gravidez declarado.

A maior parte dos óbitos fetais, no Estado, ocorreu em hospitais, segundo a pesquisa de Registro Civil, 464 ocorrências, contra apenas 40 em domicílio e 24 em outros locais.

No Amazonas, as mulheres na faixa etária de 20 a 24 anos foram a maioria entre as mães com gravidez de 28 semanas ou mais que perderam os filhos ainda bebês, 88 situações de um total de 350. Em segundo lugar no ranking estiveram as mães de 30 a 34 anos com 65 casos; de 25 a 29 anos com 63 mortes; de 15 a 19 anos com 56 situações; de 35 a 39 anos com 43 ocorrências; e de 40 a 44 anos, com 16 casos.

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